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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1998. Recebeu ainda o Prémio Poesia Max Jacob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. Foi a primeira vez que um português venceu este prestigiado galardão.

Foi casada com o advogado Francisco Sousa Tavares, passando a viver em Lisboa. Teve cinco filhos. Participou ativamente na oposição ao Estado Novo, através de uma grande participação cívica contra a Ditadura e é eleita, depois do 25 de Abril, deputada à Assembleia Constituinte.

Na sua poesia, Sophia evoca os objetos, as coisas, os seres, os tempos, os mares, os dias, utilizando uma linguagem poética quase transparente e íntima. Os autores clássicos e os mitos que contaram foram sempre uma referência muito importante para a escritora, de quem era uma grande estudiosa e leitora. Tinha uma grande paixão pela cultura Grega. A sua importante obra para as crianças foi, inicialmente, dirigida aos seus filhos, marcando sucessivas gerações de jovens leitores em Portugal e no mundo inteiro. A sua obra está traduzida em várias línguas.

Nasceu a 6 de novembro de 1919, no Porto e faleceu no dia 2 de julho de 2004, em Lisboa.

O seu corpo foi trasladado para o Panteão Nacional precisamente a 2 de julho de 2014, 10 anos após o seu falecimento.

Sophia Mello Breyner

Alguns livros escritos por Sophia de Mello Breyner Andresen:

Sophia Mello Breyner - livros

Inscrição

Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

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Textos de Amor

Red Hearts Valentine' Day 1

O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P’ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

                               Fernando Pessoa

Dois corações, feitas de rosas de papel

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

Florbela Espanca

Amar é… 

sorrir por nada e ficar triste sem motivos
é sentir-se só no meio da multidão,

é o ciúme sem sentido,
o desejo de um carinho;
é abraçar com certeza e beijar com vontade,
é passear com a felicidade,
é ser feliz de verdade!

Albert Camus

Amor é fogo…

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

Assim o Amor

Assim o amor
Espantado meu olhar com teus cabelos
Espantado meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas
Tardes que oscilam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas
E o tempo sentado no limiar dos campos
Com seu fuso sua faca e seus novelos

Em vão busquei eterna luz precisa

Sophia de Mello Breyner Andresen

Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

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Sophia de Mello Breyner

Foto

Sophia de Mello Breyner nasceu a 6 de novembro 1919 no Porto, onde passou a infância.

Entre 1936 e 1939 estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Publicou os primeiros versos em 1940, nos Cadernos de Poesia.

Casada com Francisco Sousa Tavares, passou a viver em Lisboa. Teve cinco filhos.

Participou ativamente na oposição ao Estado Novo e foi eleita, depois do 25 de Abril, deputada à Assembleia Constituinte.

Autora de catorze livros de poesia, publicados entre 1944 e 1997, escreveu também contos, histórias para crianças, artigos, ensaios e teatro. Traduziu Eurípedes, Shakespeare, Claudel, Dante e, para o francês, alguns poetas portugueses.

Recebeu entre outros, o Prémio Camões 1999, o Prémio Poesia Max Jacob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. Foi a primeira vez que um português venceu este prestigiado galardão, que, para além do valor pecuniário, significou, ainda, a edição de uma antologia bilingue (português-castelhano), o que levou a autora a um vastíssimo público que cobria os países latino-americanos.

Sophia de Mello Breyner Andresen faleceu a 2 de julho de 2004, em Lisboa.

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by | 19 de Novembro de 2013 · 15:01