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Chá de Letras com Alice Vieira

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No dia 19 de março, a biblioteca da Escola Secundária deu as boas-vindas à primavera com um “Chá de Letras” que contou com a participação dos alunos do 8º ano. Os textos lidos e representados fizeram uma homenagem a Alice Vieira, a autora em destaque nas bibliotecas do concelho de Ílhavo. Mais uma vez, alunos, professores, pais e assistentes operacionais partilharam momentos de leitura, teatro e convívio e apreciaram um chá com sabor a primavera. No dia de S. José, os pais foram, também, homenageados com um poema lido por uma aluna.

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Para esta sessão da atividade “Chá de Letras”, desafiámos o professor Roque a criar um texto com os títulos das obras da escritora e ele aceitou. O resultado foi um texto engraçado e original.

I

Alice tem muita imaginação e inventou um país de maravilhas. Vejam lá onde eu vim cair:

Tudo começou com a Rosa, Minha Irmã Rosa, que em 1979 acompanhou Paulina ao Piano. A música era algo de extraordinário e Eu Bem Vi Nascer o Sol n’ Os Olhos de Ana Marta, A Bela Moura, quando conheceu Fábio O Lindo. Desde O Tempo da Promessa, tornaram-se As Árvores que Ninguém Separa.

Continuei a Viagem à Roda do meu Nome pel’As Mãos de Lam Seng e conheci Macau: da Lenda à História cheia de Graças e Desgraças na Corte de El Rei Tadinho.

A Vida nas Palavras de Inês Tavares estava complicada para Este Rei que eu Escolhi. Precisava mesmo de encontrar A Espada do Rei Afonso. Os Profetas, sem grande sucesso, diga-se em abono da verdade, tentavam desvendar A Adivinha do Rei para encontrar A Arca do Tesouro. As Três Fiandeiras munidas de Fita, Pente e Espelho tentavam ajudar. Marcada com A fita cor-de-rosa, Úrsula, a Maior, que ainda conhecera Leandro, Rei de Helíria, lia-me um dos Contos de Grimm Para Meninos Valentes, mas havia Um Ladrão debaixo da Cama. Fugi até ao Promontório da Lua sobre o Tejo e lá encontrei um fulano, com o Caderno de Agosto debaixo do braço e o ar de quem é dono disto tudo. Queria vender-me As Moedas de Ouro de Pinto Pintão, mas eu desconversei… Disse que queria mesmo era a lua. Respondeu-me, de imediato, com ar sério:

– A lua não está à venda, mas posso vender-lhe Os anéis do diabo. Imagina os poderes que terias.

Respondi-lhe que estava farto de Manhas e patranhas, ovos e castanhas.

Como percebeu que eu não estava interessado, esfumou-se e só vi, de relance, Dois Corpos Tombando na Água. Uma voz do fundo das águas disse que não devia brincar com coisas sérias. Só então percebi que tinha estado a falar com O Filho do Demónio.

Assustado, ouvi Um Estranho Barulho de Asas e reparei que estava ali O Pássaro Verde. Parecia triste e contou-me O Que Dói às Aves. Entre tantas Expressões com História, percebi finalmente O que Sabem os Pássaros e pude assim resolver a Charada da bicharada. Depois despediu-se dizendo: Se Perguntarem por mim, Digam que Voei.

Eu, como não voo, corri. Às Dez a Porta Fecha e eu não podia atrasar-me. Tinha Meia Hora Para Mudar a Minha Vida. Se escapar desta, vou passar apenas a Viajar nos livros.

II

Alice conhece bem a nossa região pois a Costa Nova – onde costuma ficar no Lote 12 – 2º Frente – é a sua preferida entre as Praias de Portugal para apreciar as Águas de Verão, enquanto toma uma Bica Escaldada e um Chocolate à Chuva.

Se virem Um Fio de Fumo nos Confins do Mar é bem possível que seja a Alice a cozinhar. Tanto faz Pezinhos de Coentrada como um Livro com Cheiro a Chocolate, ou a Baunilha, a Morango, a Caramelo, a Canela, a Banana. Tudo…

Foi ela que cozinhou a famosa Flor de Mel para O Casamento da Minha Mãe.

Quando se junta com os amigos, a coisa sai Picante – Histórias Que Ardem na Boca e que não são para todos. Mas aproveitem… É O Que se Leva Desta Vida.

Ela sabe até De que são Feitos os Sonhos… E tu, já descobriste A Que Sabe Esta História?

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À conversa com… João Alberto Roque

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No dia 17 de março, em plena semana da leitura, o professor Roque esteve à conversa com alunos do 9º H, na biblioteca da escola secundária. Nas aulas de Português, tinham falado de poesia e do que é ser poeta e puderam conhecer a faceta deste poeta que é professor (ou do professor que é poeta?). Numa conversa informal, ficaram a saber que tudo à nossa volta é motivo de inspiração e conheceram alguns poemas lidos pelo autor.

Roque 3

Roque 2Nesta conversa, também estiveram os alunos do 9º C que, desafiados pelo professor, leram alguns poemas que criaram.

Sob o mote da poesia, foi, certamente, uma aula diferente!

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Manuel António Pina

Émeápê

.

Perdemos um grande amigo,

O poeta, o inventão,

Se é que se pode perder

Alguém de tal dimensão.

.

Era maior do que a morte,

Era um anante, um gigão.

Ficou-nos longe da vista,

Mas dentro do coração.

.

Ainda não é o fim

Nem o princípio do mundo

Apenas um pouco tarde

Para algo tão profundo.

.

No cavalinho de pau,

(O do menino Jesus)

Vai agora a cavalgar

Mais célere do que a luz

.

Mas fica sempre connosco,

Não temos razão de queixa,

Pois continua a viver

Entre os livros que nos deixa.

João Alberto Roque

.

Escrevi este poema em Outubro de 2012, quando soube da sua morte e li-o numa tertúlia que decorreu na livraria Gigões & Anantes no dia 20 de Outubro de 2012 (dia seguinte ao da morte do Manuel António Pina). Curiosamente a Tertúlia “Et Quoi – Escrita Criativa na Universidade de Aveiro” tinha sido marcada, algum tempo antes, para aquele local que recebeu o nome duma obra do próprio Manuel António Pina. Provavelmente este poema não teria nascido se não fossem estas coincidências.

Era um fiel leitor das suas crónicas. Tinha tido o gosto de estar com ele num jantar literário na Biblioteca Municipal de Ílhavo e confirmei o que já sabia dele. Um homem simples, de enorme cultura e que usava as palavras com independência e enorme mestria.

No poema há referência a vários dos seus livros. O título foi inspirado em O Têpluquê.

Publiquei-o recentemente meu blogue infantilidades e as responsáveis da Biblioteca, da escola onde trabalho, usaram-no numa exposição alusiva ao autor e pediram-me que o colocasse neste blogue.

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