Tag Archives: Amor

Atividades em fevereiro

Sessão de leitura no âmbito do projeto SOBE

Sobe1

No dia 3 de fevereiro, deu-se início às sessões do projeto de promoção de leitura “SOBE – Saúde Oral e Bibliotecas Escolares”, um projeto da RBE em parceria com o PNL e a Direção Geral de Saúde.

A sessão decorreu no Jardim de Infância da Marinha Velha e as temáticas da dentição de leite e da higiene oral foram abordadas ao sabor da leitura da obra do PNL Kiko, o dentinho de leite, de Manuela Mota Ribeiro.

A partir da história, os meninos ficaram a conhecer como é constituída a dentição de leite, falaram das suas experiências relativamente à queda do primeiro dente e recordaram os conselhos para uma correta higiene oral.

No fim, ouviram a música que acompanha a história e mostraram o seu sorriso brilhante.

Dia da Internet mais segura

No dia 10 de fevereiro, comemorou-se o Dia da Internet mais segura. A biblioteca alertou para os perigos que espreitam quando se utiliza a Internet e deu exemplos de situações concretas, desafiando os alunos a responder à questão “O que farias?”

Parabéns à biblioteca da EB da Gafanha da Nazaré

No dia 11 de fevereiro, assinalou-se mais um aniversário, o sexto, da biblioteca da EB da Gafanha da Nazaré. Num cenário de festa, os presentes cantaram os parabéns e comeram bolo.

Celebrar o amor na BE da ESGN

Coração3

No mês dedicado a Camões e ao amor, não podíamos deixar de assinalar o Dia de S. Valentim. Num ambiente decorado a rigor e com mensagens alusivas ao tema, o coração de Viana, feito pela professora Cláudia Ribau e pelo aluno André Rodrigues com rolinhos de papel, foi a estrela principal. Nesse dia, convidámos a comunidade escolar a demonstrar os seus sentimentos pelos namorados, amigos e colegas, escrevendo mensagens de afeto num envelope em forma de coração. Os corações foram, depois, distribuídos pelo Cupido de serviço e despertaram muitos sorrisos.

Deixe um comentário

Filed under Atividades, biblioteca em ação, Promoção da leitura

Camões e o Amor

Em fevereiro, celebramos Camões e o AMOR!

“Ah, o amor…

que nasce não sei onde,

vem não sei como

e dói não sei porquê.”

Luís de Camões

Luís de Camões

Desde sempre presente na nossa literatura, cantado por trovadores e poetas, é com Camões que o Amor é celebrado em todo o seu esplendor.

O Poeta canta o amor platónico, a saudade, o destino e a beleza suprema, não o amor a uma mulher qualquer, mas o amor à mulher ideal que carrega em si toda universalidade do conceito de perfeição. Da mesma forma, o poeta busca descrever o amor, não um amor necessariamente vivido, mas um amor idealizado, desejado e que expresse um sentimento absoluto, superior.

Mas canta também o amor contraditório, marcado pelo uso das antíteses e pelo ideal racionalista da universalidade; o amor platónico e o amor cortês, marcados pela idealização da mulher como ser divino que serve de ponte para que o homem alcance a plenitude da alma por meio do amor puro; o amor carnal em oposição a esses primeiros, mostrando que mesmo que o homem deseje esse amor espiritual, ele também deseja ver a sua amada corporalmente, contradição essa marcada pela própria experiência amorosa de Camões.

Enfim, independentemente da conceção de amor adotada, o que chama a atenção na lírica camoniana é a “arte e o engenho” com que Camões escreve os seus poemas: seguiu a estética clássica baseada nos modelos greco-latinos, sofreu a influência de Petrarca, mas imprimiu a sua genialidade, a sua subjetividade a cada soneto, justificando assim ser considerado o primeiro grande poeta da Língua Portuguesa.

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

Rosas e corações

Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.

A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.

Jura Amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoudece, se cuida que é verdade.

Olhai como Amor gera, num momento
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.

Luís de Camões

Amor

Se pena por amar-vos se merece,
Quem dela livre está? ou quem isento?
Que alma, que razão, que entendimento
Em ver-vos se não rende e obedece?

Que mor glória na vida se oferece
Que ocupar-se em vós o pensamento?
Toda a pena cruel, todo o tormento
Em ver-vos se não sente, mas esquece.

Mas se merece pena quem amando
Contínuo vos está, se vos ofende,
O mundo matareis, que todo é vosso.

Em mim, Senhora, podeis ir começando,
Que claro se conhece e bem se entende
Amar-vos quanto devo e quanto posso.

Luís de Camões

Coração e música

Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que Amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia, e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém para cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa,
Aqui falta saber, engenho, e arte.

Luís de Camões

Olhos verdes

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,

De ervas vos mantendes
Que traz o Verão
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gado que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;

Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões

Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

Ua graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E, pois nela vivo,
É força que viva.

Luís de Camões

Deixe um comentário

Filed under Autor do mês, Promoção da leitura